Memórias

Um perfil afetivo. Nada mais que isso

Luis Eduardo Souza Costa


Naquela manhã de 19 de janeiro de 1982, eu era uma criança de 7 anos e não entendia a comoção em torno da notícia da morte de uma certa Elis Regina, dada no Jornal Hoje. Elis não fazia parte dos artistas da minha infância, não fequentava os programas de Chacrinha, Silvio Santos ou Raul Gil, que eu assistia assiduamente. Na minha casa, o único disco da cantora (de 1972, com “Casa no Campo”) não estava no Hit Parade doméstico. Jazia inerte entre outros menos cotados. Só tive algum tipo de intereresse pela notícia quando descobri que aquela artista cantava “Romaria”, uma música que eu conhecia pois era tocada pelas freiras do colégio onde estudava.





Só muito mais tarde descobri a importância de Elis para a MPB e a riqueza ímpar e seu repertório, mesmo assim, não me transformei necessariamente em um fã, mas em alguém que respeitava o seu trabalho.

A obra de Regina Echeverria, foi publicada pela primeira vez em meados dos anos 80, quando as bases da Biografia Brasileira por excelência ainda não tinha sido fundadas por Ruy Castro e Fernando Morais. Isso explica, em parte, as lacunas e os defeitos encontrados em “Furacão Elis”. A autora, que foi amiga da cantora, abusa dessa intimidade e a todo momento faz uso de observações subjetivas, como em um livro de memórias. Na verdade, não se pode classificar o livro como uma biografia, está mais para um perfil afetivo da genial e geniosa intérprete de “Madalena”, construído através dos depoimentos das pessoas que com ela conviveram, muitos transcritos na íntegra, em diversas páginas. Também há a reprodução de alguns recados e cartas de Elis para seus amigos e colegas. Todo esse material poderia ter sido melhor aproveitado se fosse absorvido pela autora na cosntrução da história, como feito recentemente por Nelson Motta em seu livro sobre Tim Maia; por Denilson Monteiro, na seminal biografia de Carlos Imperial; ou ainda, por Paulo César Araújo, no injustamente proibido “Roberto Carlos em detalhes”. Enfim, o mérito de “Furação Elis” está apenas no fato de ser uma provável porta de entrada para uma futura biografia da cantora, com todo o rigor e destreza literária que a sua trajetória merece.

1 comentários:

Anônimo | 21 de janeiro de 2012 10:45

belo texto ... cresci ouvindo Elis e me identifico até hoje com as suas canções.

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