Exclusivo

Uma história de amor

Vitor Orlando Gagliardo - jornalista

govitor@yahoo.com.br


No primeiro momento, a leitura é densa e o final, já sabido, não é o esperado. Mas não se trata de uma ficção. Pelo contrário. Trata-se da história de um jornalista com uma carreira promissora que teve sua vida interrompida em 2005 devido ao câncer. Estou falando de Marco Uchôa, repórter da TV Globo. O livro 'Tantos Dias - memórias de uma luta pela vida' (Editora Globo) foi composto pelas anotações de Marco e finalizado pela sua esposa Anna Costa. Mais do que nunca, a narrativa de Marco transporta o leitor ao drama diário vivido pelo jornalista e toda sua família. Um dos momentos mais emocionantes é a carta que Marco deixa ao seu filho, Victor. Por fim, cheguei a conclusão que 'Tantos dias' é, acima de tudo, uma história de amor, da força de uma família e uma história de amor a vida.


Leia, abaixo, uma emocionante entrevista exclusiva com Anna Costa contou um pouco mais sobre a doença e sobre a força da família em superar a dor pela perda. "Na doença do Marco, foi quando ficamos mais juntos. Foi quando mais o amei e mais me senti amada. Reconstruímos nosso relacionamento. Não deixem acontecer um câncer para reconstruir a vida".


1. Por que a decisão de lançar agora esse material?

Marco trabalhou muito nesse livro. Foi tudo resumido por ele. Ele chegou a contatar algumas editoras. No fim, os médicos não tinham muita esperança, mas nós ainda tínhamos. Cheguei a pensar em lançar esse material logo após a morte de Marco, mas ter de ler aquele material, reviver naquele momento toda a história passada era muito difícil. Eram muitas lembranças. Resolvi guardar todo esse material. Até que um dia, o Alberto Villas, editor do Fantástico, me pediu as anotações do Marco para uma matéria na revista do Fantástico. Resolvi mandar um teto meu e eles utilizaram o conteúdo. Logo depois, recebi o convite da Editora Globo para publicar essas anotações em um livro. Durante um ano fui motivada diariamente até que, após cinco dias chorando o que tinha para chorar, terminei essa história trazendo um pouco do meu olhar. Passei um ano buscando coragem pra reviver essa história.


2. Como estão você o Victor?

A doença traz uma vida para quem fica e a morte não é o final. Victor não falava. Era como se o pai estivesse viajando. Logo depois, ele lembrava muito do pai e o lançamento desse livro foi muito importante para ele. Mostrou que ele tem um pai. Ele fez terapia, tem admiração pelo pai. Hoje ele está na pré-adolescência e tem até uma namoradinha (risos). Passei um ano e meio reclusa e trabalhei o máximo que podia para chegar em casa cansada que só pudesse pensar no Victor. Hoje sou sócia da Quintal 22, uma empresa que produz conteúdo, tenho um outro relacionamento e estou tentando reconstruir minha vida. A saudade vai sempre existir. Queríamos que o livro tivesse um fim diferente; que a carta final não fosse para o Victor e sim, para todos nós. A perda de um amor demanda outras perdas. O luto acabou, mas estamos nos recuperando (em tom emocionado).


3. Como você acha que este livro possa ajudar outras que famílias que estejam passando pelo mesmo problema?


Qualquer história real traz muitas experiências. A vida é maravilhosa se a gente conseguir viver cada dia intensamente. É possível ser feliz em um momento de tempestade. Eu e o Marco tivemos o apoio dos amigos e, principalmente, da família. Na doença do Marco, foi quando ficamos mais juntos. Foi quando mais o amei e mais me senti amada. Reconstruímos nosso relacionamento. Não deixem acontecer um câncer para reconstruir a vida.

4. Passados quase cinco anos, qual a maior lembrança que você guarda do Marco?

Dois momentos me marcaram muito. O primeiro foi quando recebemos a notícia do câncer. Estávamos um pouco afastados, mas naquela noite, dormimos abraçados, como se uníssemos nossas forças para a batalha que viria (em tom emocionado). O segundo momento foi a despedida, quando ele foi sedado (choro). Nós rezamos juntos e ele me disse que estava bem e pediu para que eu cuidasse bem do nosso filho: 'diga que eu o amo muito'. Me separei do Marco com muito amor.

5 comentários:

Desburocratizando | 26 de julho de 2010 07:49

Créditos
1ª foto: divulgação
2ª foto: montagem da revista Quem

Anônimo | 26 de julho de 2010 09:36

Li o livro, me comovi muito, pois passei por um outro tipo de câncer e também pensei que não fosse sobreviver, mas graças a Deus operei fiquei curada e hoje após doze anos estou aqui dando este meu testemunho.A doença realmente nos aproxima mais das pessoas as quais gostamos muito.

Nayá | 26 de julho de 2010 12:23

Caraca, que matéria legal. Deve ter sido bem difícil pra ela mesmo, minha tia teve câncer e morreu dele, também. E é difícil até lembrar daquela época, imagina ler o que se passou?

Anônimo | 26 de julho de 2010 14:15

é uma linda e triste história de amor.

Anônimo | 27 de julho de 2010 09:05

Parece ser muito interessante.

Postar um comentário