Opinião

Por que não popularizar o Theatro Municipal?
Vitor Orlando Gagliardo - jornalista
govitor@yahoo.com.br

O Theatro Municipal é mais do que um cartão postal do Rio de Janeiro. Sua importância está a altura dos espetáculos mundiais que aqui se apresentam. Após dois anos e meio de obras, com o custo aproximado de R$ 75 milhões, o teatro está reaberto e, inclusive, com programação já fechada.

Esse texto tem, justamente, o intuito de debater essa reabertura. Tradicionalmente, apresentam-se no Municipal, concertos e óperas. É um dos pontos de maior elitização do cenário carioca. O que me proponho a escrever é exatamente o que está descrito no título: por que não popularizar o Theatro Municipal?

Roberto Minczuk regendo em Ametista

Confesso, que analisando melhor o título, ele é, de certa forma, ambíguo. Esclarecendo os fatos: o popularizar não quer dizer fazer aquilo que o senso comum gosta e sim, convidá-los para para um maior rebuscamento cultural. Explico: não estou dizendo para que haja um show de funk ou pagode no Municipal e sim, proporcionar que pessoas de baixa renda tenham acesso à cultura.

É preciso desmistificar a idéia de que apenas a classa alta e parte da média gostam de música clássica. O projeto do governo estadual que garantia ingressos a R$ 1 para teatros foi o maior sucesso. Vale lembrar que o Theatro Municipal estava incluído nesta promoção.

A grande questão é: com preços tão exorbitantes, como essas classes mais baixas terão acesso à programação da casa? Na pior das hipóteses, disponibilizam os piores lugares para os menos abastados. Nesse ponto, vozes se levantam pregando o alto custos dessas produções. Mas aí, vale a lembrança: quase (ou seriam todas?) as grandes produções são bancadas com dinheiro estatal ou privado.

Você sabe quais empresas patrocinaram a restauração do teatro? Petrobrás, BNDES, Eletrobrás e Rede Globo de Televisão; Patronos Ouro Embratel e Vale. Os co-patrocinadores: Bradesco Seguro e Previdência e MetrôRio.

Ou seja, quem bancou a maior parte foi o governo com o dinheiro dos nossos impostos. Por que, então, criar uma divisão, elitizando a cultura? Quem foi que disse que pobre só gosta de forró, funk ou pagode?

É hora de acordar!

2 comentários:

Luis Gonzaga | 5 de junho de 2010 02:27

O motivo pelo Alto preço dos ingressos no Theatro Municipal é um só: a não divulgação do conhecimento.
Todo tipo de conhecimento trás com ele algum tipo de poder, que manipulado da forma certa, serve para várias coisas, como fazer um determinado grupo social ganhar muito dinheiro.
O projeto de teatros a 1 real, é no mínimo infame, pois o nome disse é segregação, pois os teatros públicos, como o Municipal, foram construídos e são mantidos com dinheiro de impostos pagos por uma população que tem que esperar o único dia na temporada ou no ano que lhe é permitido por uma elite ir no teatro, enquanto essa elite pode ir o dia e a hora que quiser. Se o segundo estado mais rico da Federação não tem como manter seus teatros com o dinheiro dos impostos que pagamos, é melhor fechar, não os teatros e sim o Estado. O que não pode acontecer é ficarmos segregados aos guetos da cultura.

Anônimo | 5 de junho de 2010 18:14

Tenho verdadeira adoração por óperas e por que não num teatro tão lindo e apropriado como o Municipal? Realmente quem não tem condição não poderá ir; o pobre bebe a sua cervejinha sempre que pode, vai ao futebol sempre que pode, carnaval nem se fala. Por que não juntar um dinheiro para quando tiver uma programação que queira assistir no Teatro? Quando Placido Domingo esteve por aqui não pude nem pensar em ir assistí-lo, porque não tive condições para tal evento.Portanto vamos pensar que teatro também é cultura.

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