Futebol

A saga do quarteto paulista

Regina Valente - jornalista

reginavalente@gmail.com


Polêmicas à parte, um fato do futebol atual merece destaque: os quatro clubes mais importantes de São Paulo vivem momentos realmente peculiares. São quatro novelas diferentes - e previsões de finais totalmente incertas. Tudo bem que a água do Brasileirão só vai ferver mesmo depois da Copa do Mundo, mas já temos alguns indícios que podemos avaliar, a saber:


Corinthians

Um ano que tinha tudo para ser espetacular, com Libertadores, Paulistão... até agora, está no prejuízo na conta do Timão. Dá para reverter? Sem dúvida. Mas o clube precisa rever a média de idade e, principalmente, de condicionamento físico do grupo. Um time que ainda depende de Ronaldo (será mesmo?), que está mais para rei Momo do que atleta, deve ligar o sinal amarelo urgentemente. Algumas peças do elenco precisam ser mais aproveitadas, como o Jucilei e o Dentinho. São jovens e têm talento. E esse ano não tem mais a desculpa de que ganhou a Copa do Brasil para desdenhar do Brasileirão.

Palmeiras

Aqui, o título poderia ser “Uma tarantela mal ensaiada”, tamanha a bagunça administrativa em que se encontra o alviverde. Com três técnicos em um período de um ano e meio, brigas internas, jogadores subaproveitados, salários atrasados. Isso sem contar que o clube ainda está pagando a rescisão de Wanderley Luxemburgo. O episódio mais recente, com o ex-técnico Antônio Carlos, que se envolveu em um “incidente” com o jogador Robert, é só a ponta do iceberg. O que o Verdão precisa é de uma gestão profissional. Com o respaldo de uma Traffic, é difícil entender como o clube chegou nesse nível de desorganização – é bom cuidar, porque o rebaixamento não é uma possibilidade absurda.



Santos

Decididamente, o mar está para o Peixe. No Brasileiro, o Santos vai nadando junto com o cardume, enquanto luta por mais um título – da Copa do Brasil, depois se sagrar-se campeão paulista. O destino do alvinegro praiano no campeonato nacional não depende muito do título da Copa do Brasil, uma vez que as chances de deixar a vaga para a Libertadores escapar são mínimas. Nada contra o Vitória, é um grande clube. Mas deu um azar tremendo de encarar o Santos de Ganso, Neymar, Robinho e André em grande fase. Porém, caso aconteça de o Peixe perder – afinal, futebol é imprevisível –, os meninos da Vila terão a prova de fogo: manter o equilíbrio emocional para buscar a vaga para o mais importante torneio do continente, e claro, o título brasileiro.



São Paulo

Esse é o clube que não surpreende. Começou meio lento, com Ricardo Gomes indeciso sobre escalação, alternando esquema tático, jogando mal, deixando a torcida irritada. Mas, nada como um dia após o outro. Foi buscar o Fernandão, e tudo mudou. O jogador encaixou no esquema tricolor como uma luva. A surpresa foi eliminar o Cruzeiro, que vinha de uma curva ascendente na Libertadores, e ao encarar o tricolor, não deu conta do recado. Para o Brasileiro, a mesma receita do pão-de-ló: no mínimo, o SPFC deve garantir uma vaga para a Libertadores – isso se não vencê-la este ano. O time encontrou a formação ideal.

1 comentários:

Rafael Kafka | 22 de maio de 2010 23:02

Parabéns, Rê, não é que o SPFC, fruto da organização, acabou melhorando? O Santos, mesmo sem Neymar e Ganso, continuou bem, o Palmeiras se recuperou com o Ewerton se destacando, mas precisa, sem dúvida, ter o investimento da Traffic melhor aproveitado!

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