Opinião

Efeito Copa do Mundo

Vitor Orlando Gagliardo - Jornalista

govitor@yahoo.com.br

Ano de Copa do Mundo é sempre igual: nós, brasileiros com muito orgulho e muito amor, demonstramos todo nosso patriotismo pela nossa seleção de futebol. Não importa se a seleção é forte ou fraca; se aquele jogador foi chamado ou não, o importante é que somos penta e os melhores do mundo.

No entanto, levamos bem a sério a alcunha de “o país do futebol”. Ficamos tão contagiados com o campeonato mundial que esquecemos que existe uma vida acontecendo. O pior de tudo é que os políticos sabem muito bem disso e se aproveitam da situação.


Não acredita? Então repare: primeiro foi um reajuste de 7,72% aos aposentados e pensionistas que ganham mais de um salário mínimo, sendo que este aumento foi desaconselhável pelo Ministro da Fazenda, Guido Mantega. Depois, Lula sancionou um aumento de 15 a 38% para servidores da Câmara, gerando um custo de aproximadamente R$ 500 milhões.

As Comissões da Câmara aprovaram reajuste de suas aposentadorias que, se aprovadas, vão custar mais R$ 90 bilhões por ano aos cofres públicos. O Senado não fica para trás: seus servidores estão à espera de um plano de cargos e salários superior à R$ 380 milhões.

Ainda há um projeto para a reestrutura das carreiras dos servidores do Poder Judiciário com o custo previsto de R$ 6,4 bilhões por ano, o que equivalente a 56%.

O que me pergunto é: por que somos brasileiros com muito orgulho e amor apenas na Copa do Mundo? Alguém se lembra que neste ano teremos eleições? É preciso que façamos nossa parte. Precisamos acompanhar noticiário, cobrar políticos e, principalmente, utilizar de forma racional nosso voto.

Recentemente fiz uma entrevista com o músico Tico Santa Cruz, vocalista do Detonautas e abordamos o tema da falta de engajamento dos jovens e da classe artística em aspectos políticos e sociais. Disse ele: “Os jovens, em sua grande maioria, estão mais preocupados com suas roupas, orkuts, Msns e Twitters. Defendem seus ídolos com unhas e dentes e defecam para o Brasil e suas responsabilidades como cidadãos. Hoje, as questões se diluíram e as prioridades mudaram, de modo que o meu objetivo pode não ser o seu, então por que vamos lutar juntos?”

Em relação à classe artística, ele falou: “Da classe artística devemos esperar o que? Áreas Vips em protestos? Flagras de encontros de artistas em mobilizações populares? Tirando alguns pouco que se movem em prol de mudanças significativas na estrutura política desse país, a grande maioria faz caridade que é pra não se comprometer com ninguém e sair bonito na foto. Mas quem vai bater de frente? Os empresários recomendam, não se meta nisso ou perdemos dinheiro e espaços. A censura atual é financeira”.

Nosso país já foi palco de mobilizações como, por exemplo, a campanha Diretas Já, o impeachment do presidente Fernando Collor e campanhas sociais promovidos pelo próprio músico Tico.

Por que então, não podemos ser brasileiros com muito orgulho e amor ao pé da letra, brigando para tornar nosso país um local melhor para nós todos? Não podemos aceitar mais que políticos aprovem projetos que onerem ainda mais os cofres públicos.

2 comentários:

Anônimo | 18 de junho de 2010 14:13

O problema é que a mídia fica só interessada em ganhar dinheiro, e só fala em Copa. Se o Brasil for desclassificado já agora na fase inicial, eles estarão não tristes com a seleção, mas tristes com o que vão deixar de faturar.

Anônimo | 18 de junho de 2010 15:14

Excelente matéria!!

Você conseguiu expressar exatamente o que acontece.
Orgulhamos da nossa seleção canarinho e nos alienamos na política e fazemos tudo que os políticos em sua maioria corruptos querem.

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