Literatura

O Lulismo no Poder (Ed. Record) - Merval Pereira

Merval Pereira é colunista diário do Jornal O Globo e um dos principais jornalistas do atual cenário. Em seu mais novo livro, O Lulismo no Poder (Ed. Record), seleciou uma compilação de artigos próprios que traçam um panorama do governo Lula desde sua primeira campanha presidencial vitoriosa em 2002 até os primeiros meses deste ano.

Segundo Arnaldo Jabor, essa obra é, no mínimo, um testemunho histórico das manipulações totalitárias que poderão tomar o país. “Merval Pereira descreve com método e seriedade a ‘resistível ascensão’ do lulismo em direção ao ‘chavismo cordial’ que se desenha no horizonte”.

O livro é dividido por temas e aborda pontos como os programas assistencialistas, a política externa e o episódio do mensalão, entre tantos outros.

Confira, abaixo, alguns trechos do livro.

Sobre Lula

Lula é mais coerente do que se possa imaginar, embora incoerente com o que defendia no passado. A incoerência mais marcante foi a manutenção da política econômica do seu antecessor, o inimigo cordial Fernando Henrique Cardoso, decisão corajosa de Lula coma ajuda do destino [morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel], quase um pleonasmo em se tratando de sua carreira.

Política externa Brasileira

A posse, em janeiro de 2003, foi uma mostra do que seria a política externa brasileira, mais voltada para a América Latina e para as relações Sul-Sul. “Esse é o meu cara”, disse Obama. Nos últimos meses, o tom esquerdista aumentou com a crise em Honduras e a acolhida a Mahamoud Ahmadinejad (...).

Como se sentisse em condições de afrontar o mundo, Lula cometeu erros políticos que afetaram seu prestígio internacional: posou sorridente ao lado dos irmãos Castro, Fidel e Raul, no mesmo dia em que o prisioneiro político Orlando Zapata morria depois de uma greve de fome de 85 dias. Lula não apenas condenou a greve de fome como instrumento político, como criticou o morto (...).

Ele [Lula], que chegara ao final [2009] do ano sendo considerado o líder mais destacado do mundo por jornais do peso do Le Monde e o El País, e com o Financial Times colocando-o entre as personalidades que mais influenciaram a década, começou a receber críticas no início de 2010, especialmente depois que tentou, sem sucesso, intermediar a paz no Oriente Médio e uma negociação, junto com a Turquia, sobre o programa nuclear do Irã.

Programas assistencialistas

Lula conseguiu internamente convencer boa parte dos ricos de que era o único a poder controlar a revolta dos despossuídos, ao mesmo tempo que lhes permitiu lucros extraordinários e deu a sensação aos despossuídos de que estava no poder em seu nome, e ao mesmo tempo, com programas sociais assistencialistas como o Bolsa Família e o aumento do salário mínimo, deu-lhes a impressão de que pela primeira vez alguém olhava por eles.

Mensalão

O episódio do mensalão foi o ponto de inflexão de seu governo. Até aquele momento, em 2005, o governo Lula era “um governo que não roubava nem não deixava roubar”, na definição do então ministro-chefe di Gabinete Civil, José Dirceu, depois identificado pelo procurador-geral da República como o chefe de uma quadrilha, que de dentro do Palácio do Planalto, organizou a compra de partidos políticos inteiros para dar apoio ao governo no Congresso.

1 comentários:

Anônimo | 9 de dezembro de 2010 12:41

e ainda tem gente que apóia esse presidente, se assim pode-se chamar ....

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