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“Não gosto da fama”

Como o título deste texto sugere, ele não quer aparecer fisicamente na mídia. Mas aparece, e muito bem, de outra forma. Apenas utilizando uma charge, Rica Perrone, uma paulista que adora o futebol e estilo carioca, tem marcado seu nome na imprensa esportiva, sobretudo nas redes sociais. Em uma entrevista exclusiva ao Blog Desburocratizando, ele fala sobre seleção brasileira, sua saída do portal Globo.com e inclusive, aposta em futuros campeões para a Copa do Brasil, Libertadores e Brasileiro. “Aposto em Botafogo, Fluminense ou Inter e… Santos”, afirma.




1. Por que utilizar uma charge?
Não gosto da fama. Me incomoda, tenho medo de não reagir bem. Enfim… prefiro ser um desenho do que ter que lidar com gente maluca achando que futebol é motivo de briga, ameaça, etc.


2. Você escreveu que sua saída do site do Globo Esporte foi motivada por questões de patrocínios. De certa forma, ter apenas o blog não te garante uma maior liberdade de expressão, no sentido de conteúdo e formato?
Sim, claro. Mas se eu pudesse ter meus patrocinadores e ficar na Globo, ficaria. A Globo.com, assim como a Globo num geral, é disparado o que te da mais audiência e mais facilidade com tudo. Diz lá pro jogador que é pro Blog da Globo e diz que não é. Tem diferença. Ele atende o da Globo …


3. Por que a seleção brasileira não empolga mais o torcedor?
Porque a CBF fez da seleção algo que rivaliza com os clubes. Burrice.


4. Você acredita que o Mano seja capaz de se manter até a Copa de 2014?
Acho que ta começando a complicar. A última convocação dele teve Ronaldinho, uma piada nacional. Todo mundo discordou, ninguém entendeu. Só ele.


5. Se você tivesse a chance de entrevistar o técnico Muricy Ramalho qual seria a principal pergunta?
Já tive, já entrevistei, já perguntei, ele não responde se for dura a pergunta. Não adianta entrevista-lo. Se for fácil ele responde, se for complicado ele te ofende.


6. Em um de seus posts, você comentou que os cariocas estavam participando ativamente do blog. Esperava tanta repercussão no Rio de Janeiro?
Não, não esperava. Mas adorei. Prefiro o futebol Carioca ao Paulista e prefiro o estilo do carioca de ver futebol do que o do paulista. Futebol é diversão, só.


7. Futebol ou carnaval: qual a sua preferência?
Futebol, mas como é meu trabalho e hoje é sexta-feira… Carnaval!


8. Como jornalista esportivo, você teria problemas em divulgar qual seu time do coração?
São Paulo. Nunca escondi.


9. Como surgiu a idéia do Perrone de Ogum e qual a previsão de acerto?
Surgiu de algumas vezes que no twitter eu comecei a cravar uns absurdos! E aconteceu. Ai ficou a brincadeira


10. Para o Perrone de Ogum, quem será campeão da Copa do Brasil, Libertadores e Brasileiro?Botafogo, Fluminense ou Inter e… Santos.
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“O Brasil precisa ter uma mudança de mentalidade”


A agenda do Rio de Janeiro está cheia até 2016. E um desses eventos será neste ano. A Rio+20 ocorrerá vinte anos após a Rio-92. Em um momento que temas como aquecimento global está em voga, nada melhor do que discutir temas como economia verde e conscientização ambiental. Em uma entrevista exclusiva ao Blog Desburocratizando, o ambientalista Carlos Henrique Painel da Alternativa Terrazul e facilitador do GT Rio afirmou que precisamos “evitar que o mercado se aproprie dos bens comuns e faça a precificação da natureza”, afirmou.






1. A Câmara dos Deputados propôs que a Rio+20 seja um marco de desenvolvimento sustentável com responsabilidade social. Você acha possível?

Não, até porque a Câmara dos Deputados não tem governabilidade sobre a Rio+20 que é uma proposta do então presidente Lula em uma reunião na ONU em Nova York, em 2007, e foi uma proposta do governo brasileiro. Demorou um ano e meio para ser aprovada pela ONU tendo de fazer alguns ajustes, pois queriam incluir uma revisão do que aconteceu desde a ECO-92. A Câmara dos Deputados criou uma subcomissão que está viajando alguns lugares do Brasil, mas ela em si, não tem governabilidade para tocar o processo que está sendo organizado, principalmente, pela Casa Civil e pelo Ministério das Relações Exteriores.


2. Quais são as suas perspectivas para este evento?

A política é muito multifacetada. Hoje é uma coisa, mas amanhã pode ser muito diferente. Mas hoje, eu não acredito que nós avancemos muito nas posições que a gente tem. Saiu agora um documento da ONU que reúne as propostas do mundo inteiro para a Rio+20. É um rascunho do que vai ser debatido aqui. Eles estão dizendo que os compromissos que vão ser colocados aqui na Rio+20 são compromissos voluntários. Se quiser aderir, adere. Se não quiser, não adere. Aquele que aderir, mas não cumprir, não terá nenhuma sanção. É algo muito frouxo. O Protocolo de Kyoto termina no final deste ano e não existe um acordo para o clima. A Cop 15 foi que salvou alguma coisa, mas é muito incipiente diante da gravidade que é o problema do clima no planeta. Não há governabilidade muito grande. Entre os três principais atores que nós temos para a Rio+20 que são os governos, a sociedade civil e os empresários, quem está mais preparado são os empresários para tentar que a economia verde, ou seja, que o meio ambiente entre para uma economia de mercado que é tudo que a sociedade civil não quer.


3. Qual será a importância da Cúpula dos Povos nesta discussão?

Eu acredito que a Cúpula dos Povos é a única maneira de se forçar uma mudança de comportamento dos governos no sentido de assumir compromisso. A Cúpula dos Povos nada mais é do que a união de grande parte da sociedade civil mundial. Essa sociedade civil que está viva, que está pulsando que estamos trazendo para cá para poder forçar com pessoas na rua, com propostas a conferência principal que vai ocorrer no Riocentro. A Cúpula dos Povos é a única maneira da gente pode forçar essa barra. Ao mesmo tempo, a Cúpula não é um evento em si. Ela é um processo. A gente sabe que pode não conseguir grandes resultados aqui na Rio+20 no período que vai acontecer, mas se a gente conseguir aglutinar forças, pontos em comum que todos esses movimentos no mundo possuem para tentar fazer uma agenda e forçar uma barra com os governos em todos os encontros mundiais que irá acontecer pós-Rio+20, a gente acredita, então, que pode conseguir uma reorganização da sociedade civil.


4. É a primeira edição da Cúpula dos Povos?

É. Na Eco-92 foi feito um evento parecido chamado Fórum Global no Aterro do Flamengo.







5. 20 anos depois, você acha que dá dimensionar à Rio+20 a importância que teve a Eco-92?

Nãp, para você ter uma idéia, o evento da Rio-92 teve doze dias de duração. Esse evento agora terá apenas três dias de duração. Tem algo que eu acredito que enfraquece muito, que é muito temeroso que é o fato de dias depois da Rio+20 uma reunião da G-20 no México. O primeiro ministro inglês, David Cameron, que se elegeu dizendo que seria o maior governo ambiental da história, já disse que não virá para a Rio+20. Eu acredito que a gente não vai chegar nem perto dos grandes tratados que foram assinados na Rio-92.


6. Mas você acha que é possível a gente sair da Rio+20 com algum acordo assinado?

Apenas voluntários com alguns países dizendo que vão cumprir algumas promessas. Algum acordo como o Tratado da Biodiversidade, Tratado do Clima, Agenda 21, eu acho muito difícil. Agora, as coisas mudam. Se acontecer, por exemplo, uma grande catástrofe climática por aí, as coisas podem mudar. Hoje o cenário não é. Tanto que o governo sabendo da possibilidade de fracasso da Rio+20 criou também um evento para a sociedade civil para competir, entre aspas, com a Cúpula dos Povos, chamado de Diálogos para a Sustentabilidade. Então, de alguma maneira, o governo também quer influenciar no processo oficial. O país hoje tem um protagonismo meio ufanista, mas ele está fazendo várias regressões como o Código Florestal, no tratamento com os indígenas, o pequeno agricultor estão tendo uma grande dificuldade. Enfim, para você ter uma idéia, o documento oficial que saiu do país para a Rio+20, o Brasil é o maior produtor mundial de agrotóxico. Cada brasileiro bebe mais de cinco litros de agrotóxico por ano. E a palavra agrotóxico sequer é mencionada no documento.


7. Qual seria a prioridade brasileira em um novo tratado? O que o Brasil precisa mais evoluir nesse sentido?

Eu acho que precisa uma mudança de mentalidade. O Brasil está hoje com a mentalidade pós-revolução industrial na Europa e Estados Unidos consumindo todos os seus recursos naturais e esgotando tudo que lhe é precioso. Não existe mais uma floresta em pé na Europa. Eles já acabaram com tudo. No Sudeste da Ásia estão fazendo a mesma coisa. Então, a mentalidade de desenvolvimento que o Brasil está colocando é muito retrógada. Ela deveria estar fazendo isso pensando no meio ambiente. A Usina de Belo Monte não é feita para os moradores. Ela serve para a indústria, principalmente a de alumínio. O Japão fazia isso há vinte anos. Ele só produz, hoje, para uso externo. O Brasil quer esgotar todos esses recursos para crescer e gerar riquezas. O Brasil precisa ter uma mudança de mentalidade. Se não acontecer, fica difícil pensar em grandes avanços.


8. No final do ano passado, Canadá abandonou o Protocolo de Kyoto afirmando que ele não funcionava. O senhor concorda?

É verdade. Ele não funciona. Os maiores emissores, Estados Unidos e China, não participam. Por que o Canadá que assinou o protocolo teria sanção? O protocolo de Kyoto prevê sanção. Por isso, o Brasil também não assinou. Provavelmente, ele saiu pois não teria como manter as promessas feitas e evitar, assim, uma sanção.


9. É possível pensar em um acordo internacional sem a participação de Estados Unidos e China?

O problema que a indústria do combustível fóssil nos Estados Unidos é dominante. Já a China tem a maioria de suas termelétricas baseadas em carvão e em óleo. Eu acredito que da mesma menira que o Obama conseguiu implementar uma política de saúde universal, como a feita aqui no Brasil, eu acho que ele, não agora que será eleição nos Estados Unidos, se reeleito, assuma essa bandeira que ele prometeu na última eleição. Eu tenho a esperança que o Obama possa trabalhar a questão ambiental em seu segundo mandato.






10. Como que a sociedade civil pode participar da Cúpula dos povos?

A Cúpula dos Povos reúne uma grande quantidade de organizações, redes e fóruns de grande capilaridade nacional. E ela está puxando as discussões, mundo afora, sobre a Rio+20. A sociedade civil brasileira, a carioca em si, tem como se engajar nos encontros do GT pela sociedade civil. Ele é muito divulgado no site da Cúpula dos Povos e pelas redes sociais. A gente está construindo a agenda da Cúpula dos Povos para mostrar para o mundo que uma economia verde já existe com as vertentes da economia criativa, economia solidária e de uma nova forma de pensar e evitar o consumo ensandecido como está ocorrendo. A Cúpula dos Povos vem tentar dar um tom diferente.


11. Você acha que, de certa forma, todos esses eventos que estão programados até 2016 podem facilitar os trabalhos para a propagação da Cúpula dos Povos?

A Cúpula dos Povos é parte de um processo. Ela não começa nem termina. É um processo contínuo. A grande questão é que o apelo da Rio+20 está sendo muito grande. A primeira missão da Cúpula agora é evitar que o mercado se aproprie dos bens comuns e faça a precificação da natureza. A gente quer frear isso. A economia verde não pode virar mercado.

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“As histórias são ou foram do meu dia-a-dia”


Sabe aquela típica história que o criador se confunde com a criatura? Pois bem, não há como não desassociar Maurício de Sousa da Turma da Mônica. Em uma entrevista exclusiva ao Blog Desburocratizando, ele fala sobre projetos e como surgiu a idéia de criar a Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali, personagens tão famosos pelas crianças e adultos. “Desde sempre quis fazer minhas próprias historinhas, criar meus personagens. Escrever sobre temas que eu dominasse. Por isso fui buscar histórias com crianças”, afirma.





1. Personagens como a Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali já estão inseridos na cultura brasileira. Como surgiu a idéia de criar esses personagens? Há um pouco deles no seu dia-a-dia?

Desde sempre quis fazer minhas próprias historinhas, criar meus personagens. Escrever sobre temas que eu dominasse. Por isso fui buscar histórias com crianças. Afinal, eu era jovem e me lembrava bem dos episódios vividos fazia poucos anos. Consequentemente as histórias são ou foram do meu dia-a-dia.

2. Hoje, você ainda está escrevendo histórias ou está administrando o conteúdo que será publicado?

Acompanho toda a criação dos roteiristas. Dou palpites, às vezes sugiro lay-outs, expressões corporais ou faciais para melhorar o entendimento do roteiro. Mas no geral (infelizmente) não estou escrevendo mais. Administro o trabalho de 17 roteiristas.





3. Como você lida com aqueles que criticam o trabalho devido às especificidades de cada personagem. (Me refiro ao fato de o Cascão não tomar banho, o Cebolinha ter os erros de português ...)

O publico já aprendeu a lidar e se aproveitar disso (ate na educação). Assim, estou deixando de responder a essas questões.

4. Como está sendo a receptividade da Turma da Mônica, versão teen?

A revista da Turma da Mônica Jovem é uma das mais vendidas do mundo.

5. Ao longo do tempo, foram sendo criados personagens com temas de repercussão em nossa sociedade, como deficientes visuais, cadeirantes e homossexuais. Fale um pouco mais sobre esse engajamento?

Sempre que possível, crio novos personagens para preencherem espaços que, na vida real, são evidentes. Com isso penso que nossas historinhas podem levar propostas, mensagens, muito mais próximas da realidade. Unindo o entretenimento ao comportamento.

6. Nesse sentido, há proposta para novos personagens engajados?

Irão surgindo.



7. Por curiosidade: podemos pensar em um final feliz entre a Mônica e o Cebolinha?

Se você reparar bem, todas as nossas histórias têm finais felizes. No seu contexto temporal.

8. Fale um pouco mais do trabalho feito pelo Instituto Cultural Maurício de Sousa.

O Instituto foi criado para atendimentos a eventos sociais ou culturais. Como tal, tem melhores condições de trabalhar com entidades, como ele, sem fins lucrativos.

Fotos: Divulgação MSP
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“Vai Carlos, ser gauche na vida!”

Luis Eduardo Souza Costa


“Vai Carlos, ser gauche na vida!”.

O verso famoso de Carlos Drummond de Andrade se aplicaria perfeitamente à trajetória de José Carlos de Amaral Kfouri. Juca, desde sempre.

Formado em Ciências Sociais na USP, Juca Kfouri levou para o jornalismo a mesma inquietação que demonstrou na militância política, desempenhada durante o auge da Ditadura militar, no fim dos anos 60. Por sua postura crítica e independente, arrebanhou inimigos, mas também conquistou uma legião de admiradores, que o tomam como referência na imprensa esportiva. Por esses e outros motivos, segue na luta: “Tenho filhos e netas para olhar nos olhos. Não dá para desistir.”





1. Faltando cerca de dois anos e meio para a Copa de 2014, há, por parte de alguns setores, certo temor de que o evento seja um marco de uma era de elitização do futebol, com as classes populares cada vez mais afastadas dos estádios. Você compartilha dessa visão?

Não apenas compartilho. Infelizmente tenho certeza de que é isso que acontecerá.

2. Como você classificaria atualmente a Copa e as Olimpíadas? Ainda são essencialmente eventos esportivos ou iniciativas empresariais que utilizam o esporte como adereço?

São grandes eventos do capitalismo globalizado.

3. Durante a gestão de Pelé no Ministério dos Esportes, você participou do Conselho Nacional de Esportes, órgão ligado diretamente ao Ministro. Que lição você tirou dessa experiência?

Quase nada, porque fiquei menos de seis meses. Mas deu para perceber que o mundo dos cartolas é tremendamente reacionário, avesso a qualquer mudança, mantenedor de privilégios.

4. Você foi militante de esquerda e cursou Ciências Sociais na USP durante o auge da ditadura militar. Nessa época, para muitos opositores do regime, o futebol era visto como um instrumento de alienação das massas. Experimentou algum tipo de conflito entre a paixão pelo esporte e as suas convicções políticas?


Conflito íntimo, não, porque jamais permiti que a ditadura me roubasse também os sentimentos. Discussões com colegas houve inúmeras.

5. Quando dirigia Placar, você investiu em uma cobertura esportiva diferenciada, focada em grande parte no jornalismo investigativo. Acha que deixou um legado? Em quais veículos ou profissionais você enxerga esse tipo de postura?

Seria pretensioso falar em legado. E nem quero particularizar ou fulanizar. Mas a Folha de S.Paulo, por exemplo, segue por esse caminho há anos. A ESPN-Brasil também.

6. Além de Placar, sua passagem pela Editora Abril também foi marcada pelo trabalho à frente de Playboy. Como foi chefiar duas publicações de grande repercussão, porém de perfis tão distintos?

Foi uma deliciosa experiência entre as peladas...

7. Semanalmente, no programa Linha de Passe, você escolhe os gols da semana. Qual foi o grande gol de Juca Kfouri? As matérias sobre a Máfia da Loteria Esportiva ? Sobre o doping de Mário Sérgio? A descoberta da identidade de Carlos Zéfiro?

Zéfiro, disparado!

8. Você sempre assumiu ser torcedor do Corinthians. Por que esse tipo de atitude, de declarar o clube de preferência, ainda é um tabu entre os jornalistas esportivos?

Pelo medo de violência nos estádios, o que não acontecia quando comecei.

9. Um de seus mais recentes livros é intitulado “Por que não desisto”. Você foi processado inúmeras vezes, além de ter sofrido pressões de toda ordem em função de sua independência. Já pensou algum momento em desistir?

Jamais. Tenho filhos e netas para olhar nos olhos. Tenho amigos. E leitores. E ouvintes e telespectadores. E espelho. Não dá para desistir.

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A ´Era Marcão’ no Fluminense


Marcão chegou ao Fluminense em 1999 quando o time estava na Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro. Com muita garra, o volante se tornou um dos símbolos do time que colocou o clube em seu devido lugar: na disputa da elite do futebol. Marcão ficou no clube até 2007 disputando 396 jogos. Hoje, ele é o atual técnico do Bangu, mas o Tricolor das Laranjeiras permanece vivo em sua memória. “Sonho sim em voltar. Só não sei se vai ser como treinador. Mas vou voltar!”.





1. O que tem achado da vida de técnico? Muito diferente da vida de jogador?

Estou me sentindo muito bem. Na verdade, é tudo aquilo que fazemos da nossa vida toda como atleta. O que muda é a responsabilidade. Tudo passa por você, mas gosto de administrar tudo isso.

2. Enquanto jogador você já pensava em se tornar técnico?

A princípio não, mas depois de algum tempo, achei que seria interessante passar por esta experiência; passar para os meninos tudo aquilo que me passaram quando precisei.

3. Quem são suas maiores influências enquanto treinador?

Tenho uma família linda que amo demais e me apóia em todas as circunstâncias e profissionalmente, tive grandes profissionais e hoje amigos como o Waldemar Lemos, Oswaldo de Oliveira, Parreira, Ricardo Gomes, Cristóvão entre outros, que me motivaram com suas sinceridades e amor no que fazem e isso, é exemplo para aqueles que estão começando, como no meu caso.



4. Você marcou uma época como jogador do Fluminense tornando-se ídolo da torcida. Que análise você faz da ‘Era Marcão’ no tricolor?

Agradeço a Deus todos os dias por ter me dado a oportunidade de passar por este grande clube e ter ainda o carinho de uma torcida linda e maravilhosa. Nessa linda construção que vemos hoje, acho que coloquei um tijolinho rsrsrs ...

5. Faltou algo nessa era no Fluminense?

Não ... foi tudo muito maravilhoso. Passei por todas as experiências possíveis!

6. Você saiu do Flu no início de 2007. Ficou alguma mágoa com o Branco?

Fiquei chateado somente com a maneira que foi conduzida. Me avisaram somente no último instante. Talvez se não fosse daquela maneira hoje eu não teria o carinho de toda a torcida e da instituição. Sempre falei que a instituição é e sempre será maior do que todos que lá estiveram, estão e futuramente vão estar no comando do FLUMINENSE F.C.

7. Você sonha voltar as Laranjeiras como treinador do Flu?

Sonho sim em voltar. Só não sei se vai ser como treinador. Mas vou voltar!

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“Nunca estive tão bem”

Jorge Kajuru completa em 2011, 35 anos de carreira jornalística. Durante esse tempo, ele colecionou amigos e inimigos poderosos e uma legião de fãs que o acompanha. Em uma entrevista exclusiva e sem cortes ao Blog Desburocratizando, o jornalista falou de sua saúde, carreira, seleção brasileira e sobre seu novo projeto, o show de stand-up. “Devo esse achado na carreira ao humorista, Leandro Hassum e ao meu amigo, Sérgio Malandro. Aprendi tudo com eles e criei meu próprio roteiro”, afirma.



1. Muito se fala de sua saúde. Como você está?

Nunca estive tão bem e vivo melhor momento pós-cirúrgico.


2. Após tantos anos no jornalismo acumulando amigos e inimigos poderosos, qual o balanço que faz da sua carreira?

Odeio fazer balanço. Sou orgulhoso dos amigos que fiz e dos inimigos que escolhi, e principalmente, por estar completando 35 anos no ar, sem ter vendido a alma em nenhum minuto.


3. Você é conhecido por dizer o que pensa sem papas na língua e já teve inúmeros problemas por essa atitude. Continua o mesmo?

Resposta anterior não deixa dúvidas, até porque, pegaria muito mal mudar depois de velho. Se fosse para me prostituir e enriquecer, teria feito isso, bem lá atrás.


4. Recentemente, você disse ter recusado uma proposta milionária da Record. Voltar a trabalhar em uma grande emissora está fora de sua pauta?

Completamente fora. Dependeria muito da emissora, do seu dono, de seus diretores e 100% da sua linha editorial. Hoje, não vejo nenhuma que me aceitaria como eu sou. Por isso, preferi assinar contrato com uma TV aberta menor, em crescimento extraordinário em apenas quatro anos de vida e que me oferece uma liberdade rara. Vai ser muito difícil, alguém me tirar da TV ESPORTE INTERATIVO.

5. O programa `Kajuru Pergunta` tem feito muito sucesso e você tem entrevistado grandes personagens do esporte. Esperava tanta repercussão?


Sinceramente, não! Mas os entrevistados tem sido melhores que o entrevistador, embora eu saiba, que ninguém no jornalismo esportivo brasileiro pergunte melhor do que eu.


6. Muito se fala da Copa do Mundo no Brasil. No entanto, poucos comentam o legado que ficará (ou não). Vale a pena ter uma Copa do Mundo?

Para mim, não vale! Basta ler todos os gráficos oficiais da USP, que publiquei com exclusividade, em www.tvkajuru.com


7. Por que a seleção não engrena?

Porque não tem treinador


8. Você tem feitos shows de stand-up. Como surgiu essa idéia e qual tem sido a resposta do público?

A resposta tem sido a melhor possível! É risada do começo ao fim! Devo esse achado na carreira ao humorista, Leandro Hassum e ao meu amigo, Sérgio Malandro. Aprendi tudo com eles e criei meu próprio roteiro.

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“Não é verdade que o autor muda uma trama em decorrência da audiência”.

Claudino Mayer demonstra quais os critérios que autores de novela utilizam na hora de criar a identidade dos assassinos. Esse é o tema central do livro “Quem matou ... o romance policial na telenovela” (Editora Annablume). O autor trabalha basicamente com os três maiores sucessos da teledramaturgia brasileira: ‘O Astro’, ‘Vale Tudo’ e ‘A Próxima Vítima’. Em uma entrevista exclusiva ao Blog Desburocratizando, Claudino conta um pouco mais desse fenômeno chamado novela.

Foto: Julia Chequer


1. Por que há tanta identificação do brasileiro com as novelas?

Porque as telenovelas retratam o dia-a-dia dos brasileiros. Quanto mais fiel ela retratar a realidade mais sucesso a trama terá. A identificação está no personagem, em uma casa, em um emprego, em um grupo de amigos, etc.

2. As novelas retratam temas sociais como alcoolismo, aborto, clonagem entre tantos outros. Como que as telenovelas podem ajudar esses movimentos sociais?

Os movimentos sociais, muitas vezes, não têm apoio dos órgãos competentes nem condições financeiras de fazer publicidade na telenovela. A contribuição da telenovela ao discutir essas questões é trazer para sociedade e aos governantes alternativas para compreender os temas que estão sendo discutidos. Com isso, os movimentos sociais podem receber ajuda do público (doação ou outro tipo de ajuda) e de diversas instituições para poderem desenvolver seus projetos. Como por exemplo, na telenovela Viver a vida, escrita pelo Manoel Carlos. Foi discutido o drama do cadeirante. A discussão, acredito, trouxe um enorme ganho para o cadeirante. Ou seja, se eles fossem reivindicar seus direitos demorariam anos para conseguir. A telenovela ajudou-os a conquistar alguns direitos mais rápido.

3. Há algum tema que o senhor considere de fundamental importância que ainda não tenha sido abordado nas novelas?

É muito difícil dizer qual tema seria considerado mais importante. Acho que todos os temas são importantes. A importância e interesses desses temas variam de acordo com o que está sendo discutido na sociedade na época em que as telenovelas foram exibidas. Que pode corresponder a uma época ou período. Alguns temas ocorrem com freqüência, como por exemplo, droga, alcoolismo, aborto. Esses temas são sempre reiterados por diversos autores em suas tramas. Penso que isso ocorre por falta de mais publicidade falando de alcoolismo, drogas, etc. Ou seja, alguns temas discutidos na telenovela refletem uma época ou período.

4. O livro ‘Quem matou’ aborda os romances policiais e explora três novelas: O astro (1977) de Janete Clair, Vale Tudo (1988) de Gilberto Braga e A Próxima Vítima (1995) de Silvio de Abreu. O que o levou a escolher essas três novelas?

A escolha se deu porque as três telenovelas obtiveram os maiores índices de audiência. E por ter tido bastante repercussão através da mídia e do público. As três telenovelas mobilizaram o Brasil a se perguntar: Quem matou...? Diferentes classes sociais queriam saber quem era o assassino.


5. Fazendo uma cópia de uma pergunta sua descrita na introdução do livro, ‘qual o processo de escolha que envolve determinado personagem como criminoso na construção de uma trama teledramatúrgica’?

A escolha do assassino em telenovela envolve vários fatores: a credibilidade do ator junto ao público e ao autor; se o ator tem empatia e familiaridade com o telespectador. Atores queridos do público não costumam ser assassinos. Refiro-me em telenovelas que trabalha com o quem “Quem matou...?”, principalmente em telenovelas da tevê Globo. O público ao descobrir o assassino por uma questão de audiência o autor não muda o final. Não é verdade que o autor muda uma trama em decorrência da audiência.

6. Por que o público brasileiro se identifica tanto com os romances policiais na telenovela?

Os romances policiais instiga o telespectador a tentar descobrir o criminoso. Quem não gosta de ser um detetive? Na vida real tentamos a todo instante entender os crimes e daí, procuramos descobrir através de conjecturas o criminoso. Tudo é muito fascinante. Os crimes geram comentários na vida cotidiana de qualquer brasileiro.

7. É público a importância da audiência e dos anunciantes para a sobrevivência dos veículos de comunicação. Sendo assim, qual a liberdade que um autor de novela possui para criar, sabendo que mexerá com milhões de brasileiros?

Total liberdade. O autor tem plena liberdade na criação de seus personagens. Quando um personagem não está desempenhando um bom percurso o autor “muda” o percurso do personagem por não está se comunicando bem com o público. Não procede a informação de que os autores de telenovelas mudam suas historias tramas, etc., em decorrência da baixa audiência. O que os autores alteram em suas tramas é a maneira de transmitir sentidos através de suas personagens para que o público entenda o que o autor quis transmitir.

8. Qual o maior desafio de se criar e manter um romance policial na telenovela?

O autor tem que prender a atenção do público ao escrever a cena em que aconteceu o crime. Levar o público a questionar determinados detalhes desse crime. Que pode ser uma conversa, um ato, uma seqüência de atos, uma afirmação ou informação, etc. o autor tem que levar o público ao questionamento. Dar vários suspeitos. Fazer o público refletir, refletir e refletir sobre a cena do crime. Assim, o telespectador irá “encarar” a narrativa do crime como um “desafio”.

9. Por que na maioria das vezes, as pessoas não acertam o verdadeiro assassino?

È muito “difícil” acertar o assassino em telenovela. O critério de escolha por parte dos autores envolve alguns fatores: se a imprensa descobrir o assassino eles mudam. Se o ator tem uma grande empatia junto ao público televisivo, como por exemplo, Glória Menezes, Tarcisio Meira, Tony Ramos, etc. No livro eu aponto outros meios para o público tentar acertar o assassino da telenovela.

10. Entre tantas novelas, qual aquela que melhor desenvolveu um romance policial?

Todas as telenovelas que trouxeram tramas envolvendo romances policiais “Quem matou...?” desempenharam bem suas narrativas. Algumas, claro, tiveram mais repercussão e outras menos. Percebo em algumas telenovelas que os autores conseguiram instigar o telespectador com suas narrativas de crimes. Isso já é bastante significativo porque faz a audiência de suas tramas aumentarem. Ou seja, um crime em telenovela compensa.